EXPOSIÇÃO//Bruno Penteado
BRUNO PENTEADO | EXPERIMENTOS EM VÍDEO
04/11 a 28/11
Duração: 31:47 min. em looping
artista: Bruno Penteado (Brasil)
Acidentes de percurso
As imagens de Bruno Penteado não nos enganam: surgem como percursos carregados de sobreposições e interrupções. A natureza ou o natural , o corpo humano, as cidades e lugares, apresentam-se claramente mesclados ao meio pelas quais apresentam-se, o vídeo. Manifestam-se como imagens, embora representações. O meio, no sentido de médium, permeia o assunto ou motivo, deixando de ser apenas significante para exibir-se enquanto significado: significantes repletos de significados.
As imagens em movimento apresentam-se em planos/seqüência, atravessadas por efeitos da edição da imagem, superpondo cores montadas a priori no campo da cena filmada ou surgidas na pós-produção fílmica. Muitas vezes, o sentido surge através da estrutura da montagem, pela estridência com que as imagens confrontam-se no tempo e no plano do dispositivo quadro; a sucessão cinemática alterna-se entre imagens captadas pela câmara parada, surgindo o movimento pelo conflito dado pelo corte da edição das imagens na sucessão do tempo e na manutenção do ponto de vista de cenas assemelhadas pela disposição no quadro e diversas pela cor (Vitruvian woman – left hand) e ritmo de percurso entre planos seqüência ao mesmo tempo diversos e similares.
Em Melancolia observamos seqüências como sucessões de imagens paradas, alteradas pelo filtro azul; imagens paradas que, no entanto, movimentam-se, causando estranhamento e corroborando uma natureza algo alterada pelo emoção humana, como parece pontuar o título. Alternam-se a “cor natural” da captação das imagens da natureza (urbana, já que fincada em um lócus urbano indefinido) e aquela do filtro carregado de azul. O ritmo fílmico é lento, alternando imagens de cortes diversos e cadenciados da paisagem tomada por um azul como que impossível e imanente.
Já em Porto eléctrico, vídeo-documentário, o som é direto, a câmara lenta, a percorrer o mundo como olho mecânico móvel. O mundo aqui, porém, é um carro elétrico ou bonde, lugar onde situa-se a câmara que percorre o veículo, suas gentes e as imagens do percurso realizado por ele na cidade. O filme trata, pois de um percurso.
Diria, pois, que suas imagens expõem-se como dinâmica fílmica que simultaneamente manifesta e interroga a representação que aparenta tratar. E, nessa dinâmica, a cor construída impera e ajuda a organizar o ritmo no tempo; este surge simultaneamente pelas interrupções dos planos/seqüência e pelo recorte da moldura e ponto de vista da cena, elementos fundamentais dos vídeos. O som sublinha a trajetória das imagens, sendo às vezes som direto, às vezes som para o filme, em ritmo que pontua a velocidade da imagem e suas mutações. O olhar manifesta-se enquanto constituinte da imagem em movimento e afirma a consciência do dispositivo quadro e da cor como matrizes constituintes do vídeo e seqüência das imagens.
Laurita Salles
Natal, 2010
Left Handed (Brasil, 2008, 03min)
Direção: Bruno Penteado e Henrique Cartaxo
Performers: Fernanda Pestana, Larissa Taketa e Carol Correa
Trilha original: Gust.a
Parte da vídeo-instalação the vitruvian woman. Projeto organizado e curado pelo artista dinamarquês michael chang da qual participam 34 artistas de vários países, left handed é um olhar sobre o caráter feminino visto através da expressão das mãos em contato com outras mãos em uma situação peculiar.
Melancolia (Portugal, 2009, 04:13min)
Direção: Bruno Penteado
Chuva, vento, natureza, cidade, luz, retiro, reflexão, melancolia.
Porto Eléctrico (Portugal, 2009, 13:04min)
DIreção: Bruno Penteado
A cidade acompanha os traçados geográficos naturais; lugar de arquiteturas, máquinas e gente, encontro entre rio e mar. Percurso; curvas e retas; sobes e desces; vivência através das janelas de um ‘eléctrico’ portuense.
A Olhar Olivais (Portugal/Brasil, 2009, 03min)
Direção: Bruno Penteado
‘Fugere urbem’ nos dias atuais? Percurso visual por olivais alentejanos. Terra seca e de muitos ventos, presença de uma cultura centenária e de árvores que resistem ao tempo e ao progresso. Estranhamento do homem urbano; imersão num ambiente raro e peculiar. Olhar a partir de transporte público em movimento sobre um modo de vida que remete ao passado e à idéia do ideal na natureza.
Histeria (Portugal/Brasil, 2009, 03:17min)
Direção: Bruno Penteado
Trilha original: Gust.a
Flash mobs; urban playgrounds. Espelhos de tempos em que se vive grande parte do dia-a-dia numa realidade virtual. Necessidade de sair às ruas, encontrar, conhecer, agir, interagir, surpreender, refletir sobre as relações intra-humanas e entre o indivíduo e o espaço público. Happenings; encontros marcados secretamente; tomar para si, mesmo que por instantes, o espaço da cidade por aqueles que, por vezes sem dar-se conta, são parte dela.
Role Playing | Brincando de Guerra (2009, Portugal/Brasil, 05:13min)
Direção: Bruno Penteado
Máquina do tempo; 2 séculos atrás; uma volta aos momentos em que napoleão tenta, sem êxito, invadir e tomar a cidade do porto, o que lhe rende a alcunha de ‘a invicta’. Batalhas reencenadas e vistas de dentro por olhares do século xxi; jogos de guerra.
Contato>> sottacquastobene@gmail.com
Info>> www.brupenteado.blogspot.com





